Sindcom – Comunicação sindical

Setembro 29, 2008

O jornalismo sindical no banco escolar

Arquivado em: 1 — Tags:, , , , , , , , — ricardonegrao @ 4:33 pm

A seguir, uma entrevista com o professor Alexandre Barbosa, sobre o ensino do jornalismos sindical nas universidades. Mestre em ciências da comunicação pela USP, Barbosa mantém o site www.latinoamericano.jor.br sobre jornalismo na América Latina.

Sindcom – Porque não se aprende mais a fazer jornalismo sindical nos cursos de comunicação? Por outro lado, os alunos mostram interesse em trabalhar no meio sindical?
Alexandre Barbosa –
Talvez não com esse nome, mas há ações em alguns cursos, como uma disciplina chamada Jornalismo Social e Comunitário que une a comunicação para o terceiro setor e a comunicação comunitária e sindical. Essa disciplina, na universidade em que trabalho, é oferecida no sexto semestre e – se bem conduzida – desperta interesses nos alunos. Nos primeiros semestres, dificilmente há alunos que manifestam interesse nessa área, mas depois de estudar história do jornalismo, jornalismo social, etc, aparecem alguns interessados. Há um quadro que explica a situação:
- Por um lado há falta de empenho da academia de considerar esse campo de trabalho. É um dilema dos cursos que ficam no muro entre o ensino mais prático e o teórico. Algumas universidades não oferecem disciplinas como Assessoria de imprensa, enquanto outras oferecem uma carga maior.
- Por outro a imagem dos sindicatos sofreu um desgaste muito grande, por culpa não só da indústria jornalística, mas também pelos próprios sindicatos. Tirando os exemplos dos Metalúrgicos do ABC e dos Bancários, fica uma imagem do sindicato que sorteia carro e apartamento com show de pagode no Primeiro de Maio. Verdade que nem todos os sindicatos são assim, mas essas festas tiraram a imagem de luta e transformaram o sindicato numa “ONG” que faz festa.
A conseqüência é que os sindicatos se tornaram mais um lugar em que se pode trabalhar e não um lugar especial para desenvolver uma ação, o que diminui o interesse pelo estudo.

Sindcom – Qual é hoje, na tua opinião, os melhores sites sindicais?
AB – Gosto do trabalho dos metalúrgicos do ABC e dos bancários, que desenvolveram uma comunicação muito séria há tempos. Consulto o dos jornalistas e dos professores, os dois de São Paulo. Agora, se você incluir os movimentos sociais, a lista aumenta bastante.

Sindcom – Na América Latina, por exemplo, como se dá esta questão do estudo da comunicação sindical nas universidades?
AB – Há estudos avançados na USP e na PUC, mas geralmente na pós-graduação. A prof. Maria Nazareth Ferreira, da USP, é uma pioneira na área da imprensa operária.

Sindcom – Porque a luta de classes não faz parte do cotidiano dos grandes portais brasileiros. Porque eles sempre colocam uma informação sobre reajuste salarial no canal de Economia?
AB –
Isso faz parte de um processo maior de perda do horizonte histórico na imprensa. A visão de mundo em que não há luta de classes, não há união entre os trabalhadores, se reflete no tratamento das notícias, Como as indústrias jornalísticas são expressões do liberalismo econômico, os critérios de noticiabilidade seguem as categorias de seleção desse liberalismo. Isso explica, em parte, o tratamento dado para as greves, por exemplo.

Sindcom – Qual é a importância da comunicação na web para o movimento sindical? As centrais sindicais ou os sindicatos já perceberam isso ou ainda fazem comunicação dos anos 70/80.
AB – A web é uma ferramenta interessante não só do ponto de vista econômico – é mais “barato” montar um site do que editar um jornal – como tem possiblidades de interação, inclusão de novos conteúdos com agilidade e maior capacidade de inserção de informações que as mídias tradicionais não têm. Verdade que muitos sindcitaos não se atentaram para essa possibilidade, mas isso não é exclusividade deles. A mudança não deve estar só na mídia, mas também na linguagem. Nesse ponto, o MST tem muito a ensinar sobre o uso da comunicação.

Clique na imagem e vá para o site Latino Americano.

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